Nas últimas semanas a temática do suicídio tem estado em destaque graças ao desafio “Baleia Azul” e a série “13 Reasons Why”.

A “Baleia Azul” consiste de 50 desafios que envolvem desde a automutilação até atividades arriscadas, sendo o último desafio o suicídio. Já o seriado começa a sua história após o suicídio da adolescente Hanna Baker e de treze fitas que são entregues para treze pessoas explicando por que são responsáveis pela morte de Hanna.

Os debates nas redes sociais em sua maioria vêm destacando como os adolescentes estão vulneráveis a ponto de serem seduzidos por tal jogo e de como o seriado traz uma visão romantizada do ato de se tirar a própria vida.

Acredito que o mais importante é percebermos como um tema tão importante estava nas sombras. Segundo a Organização da Saúde na faixa etária de 15 a 35 anos o suicídio está entre as três maiores causas de morte.

Em um mundo no qual existe menos espaço para falarmos dos nossos sentimentos e de como a relação com o outro nos afeta, cada vez mais os sentimentos de isolamento e solidão se alastram. Trazendo uma sensação de insegurança.

Por isso torna-se importante estarmos atentos aos jovens, pois quando somos adolescentes ainda não construímos uma estrutura emocional estável e por isso estamos mais vulneráveis a sensação de não pertencimento.

Além disso, somos cada vez mais convidados a estabelecer nossas relações através do mundo virtual que traz como benefício o dinamismo nas relações, porém perdemos aos poucos o traquejo de como lidar com o diferente.

Estudos em diferentes regiões do mundo têm demonstrado que, na quase totalidade dos suicídios, os indivíduos estavam padecendo de um transtorno mental. A figura abaixo resulta da compilação de 15.629 casos de suicídio realizada pela OMS (Brasil, 2006).

Infelizmente os transtornos mentais ainda são tratados como “Só queria chamar atenção”, “Era falta de Deus”, “Falta de amor”, “Falta de porrada”. E mesmo se for uma questão de chamar atenção é exatamente isso: existe a necessidade de poder falar com alguém!

Precisamos olhar para a vida com menos objetividade e rigidez. Lembrarmos que nós, seres humanos, somos seres de relação por tanto é importante sermos acolhidos diante das nossas singularidades.

 

REFERÊNCIAS:

BRASIL. 2006. Prevenção do Suicídio. Manual dirigido a profissionais as equipes de saúde mental. Ministério da Saúde.

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