Durante a minha formação como Gestalt-terapeuta tive a oportunidade de realizar inúmeras entrevistas e consequentemente encaminhamentos para alguma modalidade de terapia (individual, infantil, de grupo etc). Uma opção de encaminhamento possível era a terapia de grupo e me chamava atenção a forma como as pessoas encaravam tal possibilidade e de como tais expectativas iam se transformando ao longo da terapia.

As respostas que ouvia, sempre que proponha a oportunidade ao cliente de fazer a terapia de grupo, geralmente eram as mesmas: “preferia fazer terapia individual”, “vai todo mundo saber da minha vida”, “estranho falar na frente de outras pessoas” etc.

Ou seja, tudo se resumia a vergonha do outro!

Ou melhor dizendo ao medo da crítica/julgamento do outro.

O medo de ser julgado está muito ligado ao receio de ser rejeitado, a uma busca pela perfeição e pelo temor ao desconhecido (obs.: leia o meu texto sobre o medo de ser criticado). Tudo isso fica muito misturado ao cogitarmos a hipótese de nos expormos diante de outras pessoas. E tal receio se multiplica ao pensar em Terapia de Grupo visto que a maioria das pessoas nunca tiveram contato com um psicólogo tão pouco com esta modalidade de terapia.

Como tal terapia não é muito conhecida por vezes ficamos ligados a fantasia do que é difundido na mídia: uma sala cheia de pessoas sentadas em plenária ou roda e cada hora uma pessoa fala apresentando a sua questão.

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Mas como a Terapia de Grupo se desenrola afinal?

Vou falar sobre a forma como desenvolvo o meu trabalho e acredito ser a que melhor auxilia as pessoas no seu desenvolvimento. Esclareço que existem diversos profissionais e teorias, logo haverá outras formas de se trabalhar com grupos.

A primeira coisa que tento desmistificar é essa ideia de “julgamento”, o espaço da terapia de grupo é o de compartilhamento. Você pode pensar: mas todo mundo tem uma opinião, portanto podem não aceitar a minha história. Claro que sempre teremos alguma opinião (mesmo que seja a de manter-se calado) sobre o que chega até nós, porém a forma como a opinião do outro me afeta é que faz toda a diferença: de forma construtiva ou destrutiva?

Se tivermos a postura do compartilhar veremos os aspectos que existem no outro que me incomodam e perceberemos tais aspectos em nós mesmos e deste modo aceitar que nada do que é humano me é alheio. Além disso ouvir a história de vida do outro nos faz reviver aspectos na nossa própria vida e podemos compartilhar diferentes modos de pensar sobre problemas parecidos e assim enriquecermos sobre diferentes maneira de abordar tais problemas.

É como diz o ditado “Duas cabeças pensam melhor do que uma”!

Na minha experiência na condução de grupos pude perceber como as pessoas vão perdendo o receio de se expor, pois vão percebendo que naquele espaço existe um combinado diferente entre as pessoas. O combinado que estabelecemos desde o primeiro dia é o de respeito com o outro, cuidado na troca e o de sigilo do que acontece no grupo. Com o passar do tempo as relações vão se tornando mais próximas e proporcionalmente a troca vai se tornando mais rica. E na medida que a troca se torna mais rica o apoio, a confiança e o auto-conhecimento também.

Outro ponto importante da terapia de grupo é a oportunidade que tal modalidade proporciona de aprendermos a lidar com o outro, pois dentro do grupo estamos em relação o tempo todo e na terapia de grupo estamos em um espaço protegido no qual podemos testar e obter um feedback de forma cuidadosa da forma como lidamos com as nossas relações no mundo lá fora.

Assim, se ainda está imaginando a terapia de grupo como um lugar cheio de gente falando uma de cada vez sem que haja interação e troca, não é esse o trabalho que proponho.

Para começar o espaço será um local calmo e confortável, a quantidade de pessoas nunca passará de cinco e a relação entre o grupo será dinâmica. O objetivo não é fazer uma terapia individual estando em grupo, mas sim o de promover que as pessoas se descubram na relação com o outro (o grupo).

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