A crítica ou julgamento de algo ou alguém pode ser entendido por dois vieses: a da construção e a da destruição. Quando estamos dispostos a dar uma crítica construtiva essa surge em prol do próximo, já a crítica destrutiva nasce da rigidez e intolerância.

Geralmente a crítica nasce de um ato projetivo, ou seja, vejo no outro aspectos negados de mim mesmo. Quando percebe que aspectos que me incomodam no outro falam também sobre mim isso me ajuda aceitar que nada do humano me é alheio e que também sou afetado.

Segundo Murgo (2013) a crítica aparece com frequência como reação diante de três sentimentos: o medo à rejeição, a busca da perfeição e o temor ao desconhecido.

Por medo à rejeição: funcionaria como um autoboicote, pois acabo fazendo com o outro o que tanto temo que façam comigo – abandono ou rechaço o outro por medo de não ser aceito.

Porém, por mais que se critique o outro a auto necessidade de aceitação nunca será preenchida. O antídoto é “aceitar que, em menor ou maior medida, todos somos rejeitados em algum momento ou circunstancia de nossa vida” (id.)

Por intolerância ao imperfeito (busca da perfeição): o que não tolero em mim mesmo acabo projetando no outro em busca da perfeição desejada. Tal busca tem como parâmetro algo idealizado e fora do plano real.

“Medir o próprio valor com a medida única dos fracassos desencadeia baixa autoestima, desvalorização, busca contínua de aprovação, culpabilidade e autorrejeição”. (id.)

Por rigidez do pensamento (temor ao desconhecido): fico tão preso a um determinado juízo de valor que não dou espaço para o novo, impedindo a minha evolução. Assim, acabo me tornando rígido em diversos planos: familiar, profissional, afetivo etc.

Conforme dito no início do texto ser crítico não é algo somente ruim, pois nos leva a construir coisas novas e sermos exigentes para não nos deixarmos cair na preguiça e abandono, nos empurrando para a superação. Porém é preciso ter cuidado para não cair em uma superexigência e consequentemente na intolerância, deste modo é preciso equilíbrio entre a crítica e a flexibilidade de ideias. Como, por exemplo, o corpo humano: é necessária certa rigidez dos ossos para a sustentação, possibilitando assim a inserção dos músculos que dão a flexibilidade para o movimento.

Dica: da próxima vez que apontar o dedo para alguém preste atenção no que os outros três dedos da sua mão estão te indicando.

 

REFERÊNCIA:

MURGO, G. (2013). Gestar-se – Resgatar a criança interior. Rio de Janeiro: Semente Editorial.

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