O mundo do trabalho está cada vez mais competitivo e nos exige uma energia e disposição muitas vezes impossíveis de serem atingidas. As condições de trabalho por vezes precárias, a falta de tempo para concluir os serviços, a necessidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo e a exigência constante de aperfeiçoamento podem desencadear doenças que prejudicam a saúde física e mental. Doenças do trabalho referem-se a um conjunto de danos ou agravos que incidem sobre a saúde dos trabalhadores, causados, desencadeados ou agravados por fatores de risco presentes no local de trabalho. Manifestam-se de forma lenta, insidiosa, podendo levar anos para o seu aparecimento (Brasil, 2001).

 

Definição da Síndrome de Burnout

A Síndrome do Esgotamento Profissional ou Síndrome de Burnout caracteriza-se por uma sensação de estar acabado, considerada por Harrison in Carlotto (2002) como um tipo de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada com intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo.

Estudos demonstram que tal síndrome é encontrada principalmente em profissionais da área de serviço ou cuidado quando em contato direto com os usuários, por exemplo, trabalhadores da educação, da saúde, policiais, assistentes sociais, agentes penitenciários, professores, entre outros (Brasil, 2001). Seu surgimento é de forma lenta e se agrava de forma paulatina, por vezes a pessoa acometida se recusa a acreditar que está acontecendo algo de errado.

 

Sintomas

Segundo Farber (1991) as pessoas acometidas pelo Burnout sentem-se exaustas emocional e fisicamente, estão constantemente irritadas, ansiosas, com raiva ou tristes. As frustrações emocionais peculiares a este fenômeno podem levar a sintomas psicossomáticos como insônia, úlceras, dores de cabeça e hipertensão, além de abuso no uso de álcool e medicamentos, incrementando problemas familiares e conflitos sociais (Carlotto, 2002).

Segundo Lara e Amorim (2001) existem três dimensões no Burnout:

Exaustão Emocional: sensação de esgotamento tanto físico quanto mental, sentimento de falta de energia e de estagnação de seus limites;

Despersonalização: alterações na personalidade do indivíduo, torna o profissional mais frio e impessoal com os usuários de seus serviços, torna-se cínico, irônico e indiferente aos demais;

Baixa Realização Profissional: sentimento de insatisfação com as atividades laborais, fracasso profissional, é comum o profissional apresentar ímpetos de abandono de emprego.

 

O que posso fazer?

É importante entender que a Síndrome de Burnout não é um fenômeno oriundo apenas do âmbito individual, mas sim um fenômeno psicossocial composto por variáveis correspondentes ao mundo do trabalho, as condições emocionais do indivíduo e da sua construção social.

É importante que o tratamento seja composto por uma equipe multiprofissional. O psicólogo acolherá o paciente em um momento no qual o mesmo está fragilizado e necessitando reavaliar sua inserção no trabalho e na vida visto que está em um processo de desinvestimento afetivo no trabalho que antes era objeto de todo ou grande parte desse investimento (Brasil, 2001).

 

REFERÊNCIAS:

Brasil.(2001) Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde.

Carlotto, M. S. (2002). A síndrome de Burnout e o trabalho docente. Psicologia em Estudo, 7(1), 21-29.

Farber, B. A. (1991). Crisis in education. Stress and burnout in the american teacher. São Francico: Jossey-Bass Inc.

Lara, S. e Amorim, C (2001) The Burnout Syndrome on Mental Health Care Professionals. In The European Congress On Work and Organizational Psychology,Praha, Czech Republic.

Valério, FJ; Amorim, C; Moser, AM. (2009). Revista de Psicologia da IMED, vol.1, n.1, p. 127-136.

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