No programa de hoje do “Encontro com Fátima Bernardes” um de seus convidados, Daniel Velloso, foi falar sobre como é a sua vida tendo Esquizofrenia. Na entrevista, Daniel fala sobre a importância de seguir o tratamento, da possibilidade de se viver bem e de como a doença será vivida de forma singular por cada um.

A partir desse entendimento da doença como uma vivência individualizada, proponho expor a noção de saúde e doença para a Gestalt-Terapia. Mas antes algumas informações sobre a Esquizofrenia.

Falando sobre a Esquizofrenia

A Esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que segundo Dalgalarrondo (2008) ocasiona uma profunda alteração da relação Eu-mundo, com a sensação de perda de controle sobre si mesmo e de invasão do mundo sobre seu ser íntimo. Ainda segundo este autor, alguns dos sintomas são: alucinações auditivas; percepção delirante; alterações do pensamento; vivências de influências corporal, dos sentimentos, impulsos ou vontade; alterações do ânimo etc.

Em alguns casos, as pessoas com Esquizofrenia também são acometidas por um isolamento social, que combinado com preconceitos e a falta de informações da população, levam a um grande sofrimento.

Visão dicotomizada: SAÚDE X DOENÇA

Na nossa sociedade ocidental temos como filosofia um pensamento mecanicista, o qual nos ensina a ter uma visão dicotomizada sobre o mundo: BEM X MAU, MENTE X CORPO, SAÚDE X DOENÇA. Nos baseando nessa filosofia, por muito tempo entendíamos a saúde simplesmente como a ausência de doença. Hoje começamos a ver a saúde de outra forma, entendendo que o ser humano é atravessado por diversas forças, portanto nossa saúde seria biopsicossocial. Ou seja, somos influenciados por questões do corpo físico, das nossas emoções e do contexto social que vivemos (já se discute a inclusão do aspecto espiritual).

Porém, em nosso dia-a-dia ainda temos uma prática reducionista com relação a saúde, assim teríamos saúde quando podemos fazer aquilo que somos habituados a fazer, ou seja, a utilizar o nosso corpo de forma satisfatória.

Saúde na Gestalt-Terapia

Na Gestalt-terapia (GT), o diagnóstico tem como objetivo identificar e explicitar o modo pelo qual o indivíduo se relaciona com o ambiente e de que forma significa a sua própria experiência (TENÓRIO, 2003). Deste modo, para a GT “saúde” implica um olhar mais amplo, no sentido de que saúde seria a capacidade do indivíduo de atualizar seu contato com o mundo, não se mantendo rígido no seu modo de ser e estar. Podendo escolher de forma espontânea como realizar suas trocas. Segundo Rodrigues (2000) “ao poder reconhecer que tem essa capacidade de manter-se em contato e efetuar trocas –  mesmo que ele ainda não utilize tais escolhas, quando opta em se recolher ou momentaneamente permanecer fechado para o mundo – somente ao reconhecer que há está capacidade – que há o mundo e que ele tem escolhas – já há um sinal de que a saúde está presente”.

Olhar ampliado sobre o que é saúde

A GT não visará apenas tratar a parte “doente” daquilo que não funciona, mas sim a totalidade da pessoa no seu processo vivencial, de que somos constituídos por diversas forças que contribuem para mudanças na nossa relação com o mundo, objetivando assim uma eficácia terapêutica mais profunda do que simplesmente um tratamento que atue somente na suspensão de um sintoma. Assim, as psicopatologias estariam relacionadas a um estreitamento da relação do indivíduo consigo mesmo e com o meio, prejudicando seu contato com o mundo, e consequentemente, seu desenvolvimento saudável (VIEIRA, 2010).

http://gshow.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes/videos/t/programa/v/daniel-mostra-que-e-possivel-manter-a-esquizofrenia-sob-controle/4984661/

oGrito_EdwardMunch

REFERÊNCIAS:

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.

RODRIGUES, H. Introdução à gestalt-terapia: conversando sobre os fundamentos da abordagem gestáltica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

TENÓRIO, C. A psicopatologia e o diagnóstico numa abordagem fenomenológica-existencial. Revista Universitas Ciências da Saúde, v.1, n.1. UniCEUB-Brasília, p.31-44, 2003.

VIEIRA, L. Reflexões acerca da esquizofrenia na abordagem gestáltica. Revista IGT na Rede, v. 7, nº 12, 2010, Página 70 de 80. Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN 1807-2526

 

3 Comentários. Deixe novo

  • Daniel Velloso
    julho 27, 2016 2:51 pm

    Camila!
    Que bom ler a sua matéria! E pô, você é minha vizinha! ahahahaha
    Me conheceu através do programa mesmo?
    Sucesso!

    Responder
    • Boa tarde Daniel!
      Que bom que gostou da matéria. Infelizmente não nos conhecemos, sobre qual programa se refere? Caso esteja procurando por um acompanhamento psicológico me coloco a disposição.
      Abraços

      Responder
      • Daniel Velloso
        julho 27, 2016 11:00 pm

        O da Fátima mesmo! Poxa, obrigado querida! Mas eu já faço acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Porém, é sempre bom ver as pessoas se mobilizando pela saúde mental onde no Brasil cada vez mais cresce o número de transtornos! Repito: sucesso! Abração!

        Responder

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